O papa argentino agora ataca o capitalismo de livre mercado e diz que o direito à propriedade não é inviolável

O pontífice também rejeitou até a própria doutrina da Igreja Católica que justificava a guerra como meio de defesa legítima, dizendo que não é mais viável
  • Por Redação
  • 05 out, 2020

Em novo documento intilulado de "Fratelli Tutti" (Todos Irmãos), encíclica de 70 páginas publicada neste domingo (04), o papa Francisco faz duras críticas ao capitalismo de livre mercado e até relativiza o direito à propriedade privada. Segundo ele, a pandemia do novo coronavírus demonstrou que as políticas de livre mercado não conseguem solucionar todas as questões essenciais da humanidade, o que justificaria um novo modelo. 

"O mercado por si só não pode resolver todos os problemas, por mais [que] façam a gente acreditar nesse dogma da fé neoliberal", escreveu. De acordo com ele, a economia de mercado gera a "desigualdade", o que "dá origem a novas formas de violência".  

A encíclica do papa argentino reiterou sua visão de uma sociedade mais comunal, que relativiza até mesmo o direito à propriedade privada.

"A tradição cristã nunca reconheceu o direito à propriedade privada como algo absoluto ou inviolável", escreveu Francisco. 

Além desses temas, o texto traz outros tópicos sociais, como imigração, combate a pena de morte (mesmo a legal), "populismo", "injustiça econômica" e racismo. 

O pontífice também rejeitou até a própria doutrina da Igreja Católica que justificava a guerra como meio de defesa legítima, dizendo que não é mais viável.

É muito difícil hoje em dia invocar os critérios racionais elaborados nos séculos anteriores para falar da possibilidade de uma 'guerra justa'”, escreveu, gerando mais polêmica com a nova encíclica.